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Um povo entregue à própria sorte

19 de junho, 2017 às 15:08 - por João Eichbaum

Crédito: Reprodução/Internet

Volta e meia, chamado a dar explicações sobre passividade das forças armadas diante desse redemoinho político que está esfarinhando os valores da pátria, o comandante do exército responde como um virtuoso abade em vida contemplativa: “Estamos cumprindo a Constituição”.

Mas, enquanto as autoridades militares “cumprem a Constituição”, na qual o que mais enxergam são as regras da disciplina e da hierarquia, autoridades civis que, por dever de ofício, deveriam pôr em execução os princípios constitucionais, fazem o contrário.

Quando ações do Poder Judiciário começaram a bater na porta do Legislativo, caçando réus lá dentro, a resposta veio em forma de retaliação: projetos de lei, encurtando os poderes de juízes, Ministério Público e polícia, e transformando em crimes a prática de alguns atos próprios desses cargos foram tomando conta da pauta.

O uso da atividade legislativa para engendrar vinganças rasteiras, assim como a venda de leis e de medidas provisórias, tais como foram denunciadas nas delações, estão longe de comprovar o pleno exercício dos poderes dentro dos princípios constitucionais.

Nesse jogo, a pátria fica sem “defesa”, seus bens são malbaratados. O vírus da corrupção infecta o sistema, provoca a hemorragia da confiança na classe política e a democracia se engasga com o veneno diluído da propina.

Para completar, aquele que, segundo o artigo 142 da Constituição Federal, tão conhecido dos militares, é o chefe supremo das Forças Armadas, está enrascado numa investigação que lhe atribui corrupção, obstrução da justiça e formação de quadrilha. E. para se safar, ele está oferecendo cargos em troca de votos.

Quer dizer: Michel Temer, o Presidente da República, está se utilizando do poder que lhe confere a Constituição, para colher benefício pessoal, desobedecendo expressamente ao princípio da impessoalidade, que deve presidir a administração pública, conforme o artigo 37 da Constituição Federal.

Enquanto as autoridades das armas cumprem a Constituição, as de gravata se servem dela como prostituta, para satisfazer apetites pessoais. E para milhões de outros filhos, a pátria não passa de um país escuro e pérfido, sem educação, sem saúde, sem moradia, sem segurança e sem emprego: a Constituição não os acode.

Autor

João Eichbaum

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