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TODO PODER AOS CAMINHONEIROS! – Artigo de Helio Teixeira

28 de maio, 2018 às 13:49 - por Helio Teixeira

O REVANCHISMO CARACTERIZA O PRESENTE TEMPO. Muitos querem ver na greve dos caminhoneiros uma purgação pelo fato de que parcelas desta categoria teriam apoiado o impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, em 2016. Embora a greve seja pelo preço justo especificamente do óleo diesel, a reivindicação acerta em relação ao preço dos combustíveis em geral. Nesse sentido, parte da dita esquerda hegemônica erra ao não apoiar a greve decisivamente. Erra ainda mais ao compará-la à greve que derrubou Salvador Allende, em 1973, no Chile. Erra ao não compreender o drama dos caminhoneiros; trabalhadores que vivem nas estradas, sem ver os filhos e filhas crescendo, privando-se ao dia a dia familiar de tantas realizações existenciais, como levar as crianças para a escola, brincar com elas nos fins de semana, permitir-se intimidades programadas de casal, e, em grande medida de tempo, aproveitar os momentos em família no encontro dominical. Erra ao se negar solidarizar-se à situação real dos trabalhadores das grandes rodovias do país. E, principalmente, erra ao reivindicar certo REVANCHISMO contra a categoria das estradas. As centrais sindicais erram ainda mais ao não aproveitar a situação para conclamar uma greve geral em todo país. A situação dos caminhoneiros precisa ser considerada desde a percepção de sua consciência, isto é, o caminhoneiro e a caminhoneira são cidadãos imersos em sua vida cotidiana não politizada. Eles só entendem parcialmente o verdadeiro papel de um governo, que é aquele de cobrar impostos, infelizmente.

A VERDADE NUA E CRUA é que a maioria esmagadora do povo brasileiro pensa conforme o bolso. É uma realidade que a consciência política seja filtrada pela forma como se encontra o bolso dos cidadãos, eventualmente eleitores. Por isso não é estranho que a população, em grande medida, se sinta solidária à greve dos caminhoneiros, uma vez que ela atinge diretamente o bolso de milhões de pessoas cotidianamente; atinge o bolso dos trabalhadores que pagam passagem de ônibus, de trem, de barco, das trabalhadoras que abastecem seus automóveis, das trabalhadoras e trabalhadores que rodam pelo país transportando as riquezas e colocando as regiões do país em contato.

O CONTEXTO É DE MUITA CONFUSÃO. Há um pouco de tudo nesse caldeirão. Existem donos de transportadoras querendo deixar de pagar certos impostos, há caminhoneiros ingênuos e despolitizados querendo intervenção das forças armadas, tem também oportunistas querendo agradar a categoria em tempos de eleições, existe dono de posto de gasolina rapinando, há gente de direita jogando a culpa nos governos de Lula e Dilma, gente de esquerda dizendo que a culpa não é deles, pois votaram na Dilma e outras mais e más interpretações, mas o certo é que o movimento grevista acerta o centro nevrálgico e fundamental da problemática nacional, qual seja, a reivindicação justa de um preço adequado dos combustíveis é a expressão mais dramática do apelo a mudanças políticas no país vindo de um setor até então insuspeito de agitação, os caminhoneiros e caminhoneiras. A descontinuidade histórica, a saber, a descrença com as eleições próximas e a sensação de que a abstenção seja ainda maior do que no último pleito, exige espírito de abertura para compreender as reivindicações do tempo presente sem quaisquer preconceitos. Talvez o tempo de radicalizarmos a democracia participativa e direta esteja sazonando essa jabuticaba política.

A REVOLUÇÃO COMEÇA SOBRE RODAS! Todo poder ao povo! e aos caminhoneiros. Cabe esperar e ver quem ouvirá o chamado das ruas, como bem lembra aquela famosa canção de John Lennon:

“Poder para o povo, agora,

Diga que quer uma revolução,

Melhor começarmos agora mesmo,

Bem, levante-se,

E vá para a rua!”

Helio Teixeira, é teólogo

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