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TAL POVO, TAIS POLÍTICOS – Crônica de João Eichbaum

19 de dezembro, 2017 às 11:30 - por João Eichbaum

Fotos nas redes sociais mostram uma senhora idosa, varrendo o lixo que se acumula, vergonhosamente, na passarela que leva à estação do trem suburbano (Trensurb) em Sapucaia do Sul.

Os noticiários da imprensa, como também as redes sociais, revelam a insanidade de bagunceiros, torcedores do Flamengo, praticando toda a espécie de selvageria, com depredações e atos de violência, porque seu time foi eliminado de um campeonato.

Uma tal de Anitta foi eleita a mulher do ano. Mas não me perguntem o porquê. Também foi escolhido como melhor cantor, ou coisa que o valha, alguém que atende pelo nome de Pablo Vittar, sobre o qual nada poderiam dizer pessoas com certo nível de cultura.

Da administração do país entregue a políticos, só duas coisas tomam corpo nos noticiários e nas conversas de bar: incompetência e corrupção. Mas, gente, quem é que escolhe os melhores, em qualquer coisa, neste país? Quem é que adora os ídolos criados pela mídia? Quem é que escolhe os políticos?

Claro, é o povo. Sim, aquela parte do povo, em cujo caráter não há lugar para a retidão e a perfeição. Aquela parte que picha, que suja, que acumula lixo, que, empanturrada de adjetivos chulos, usa insultos, ao invés de argumentos, para rebater oponentes nas redes sociais, aquela que promove quebradeiras por causa de futebol. Esse mesmo povo acaba se sobrepondo à minoria civilizada, à minoria que não se deixa embriagar por demagogos e estelionatários políticos.

O voto deles, do povo que não respeita o direito dos outros, é o que acaba prevalecendo. A mesma irracionalidade que os leva à prática de selvageria, os leva também a escolher políticos.

Então, jogadores de futebol, artistas, participantes de programas vulgares de televisão, acumulam votos para arrastar consigo vilões, corruptos, velhas raposas. Graças a uma farsa chamada quociente eleitoral, o parlamento se torna uma feira de interesses pessoais, à margem das necessidades da nação.

A barganha corre solta entre Executivo e Legislativo: toma lá e dá cá, é dando que se recebe. Tais contubérnios acabam parindo os Geddéis da vida, ministros disso e daquilo. Esses, por sua vez, botam afilhados a administrar autarquias ou empresas estatais que só prestam maus serviços, onde o lixo se acumula, e sanitários, elevadores, escadas rolantes não funcionam, como no Trensurb. Esse é o espelho no qual se mira o povo. Nele só há lugar para políticos, e celebridades de mídia. Mas, não para a velhinha que se preocupa com o asseio, nem para a professora que morreu, salvando crianças numa escola tomada pelo fogo.

 

Autor

João Eichbaum

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