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SÓ PARA O SEU UMBIGO

07 de fevereiro, 2017 às 16:01 - por Everton Cury

É compreensível  a atitude da imprensa da capital gaúcha que foca a dupla Grenal como o centro de todas as suas atenções.

Primeiramente porque é inegável que os dois grandes times do RS concentram, pelo menos , 95%  da massa torcedora gaúcha. Outro motivo, é o fato de serem dois clubes da capital e, portanto , próximos a eles. Até aí, tudo correto.

O que fica difícil de compreender é que estes que só olham para os seus próprios umbigos, não consigam visualizar mérito algum  nos adversários  de colorados e gremistas. Para que tenhamos uma ideia, o maior jornal do estado não publicou uma linha sequer à respeito do Esporte Clube Novo Hamburgo, inclusive no dia do jogo.

Esta desatenção para com os clubes do interior  podendo ser considerada, até mesmo, como falta de respeito, mostra o por quê de serem tão obtusos em suas análises. Acham que são os maiorais e não admitem perder para os pequenos, a não ser por falhas que visualizam nas equipes e técnicos da dupla.  No entanto, agindo assim, sem reconhecer virtudes (em Novo Hamburgo e Caxias) no último final de semana, terão sempre  tanta dificuldade quanto os dirigentes dos dois grandes da capital para identificar valores nas equipes do interior do estado que são celeiro de jogadores e de técnicos para todo o país e também fora dele.

Santo de casa faz milagre sim, basta descobri-lo.

 

PURO PAVOR

 

Como dirigente do Esporte Clube Novo Hamburgo, acompanhei a equipe ao Beira Rio no último sábado. Desta forma, estive muito próximo de tudo que ocorria nos vestiários e corredores de acesso.

Divido aqui com os leitores, algumas impressões colhidas visualmente:

– Ao final do primeiro tempo, os jogadores do Inter saíram de campo completamente atônitos com o que havia acontecido (2×0 para o Nóia) e tinham um olhar perdido;

– Na chegada ao vestiário, no intervalo, o vice de futebol do colorado Roberto Melo, parecia não estar entendendo o que ocorria. Sua expressão era de perplexidade. Quando saiu do vestiário, deu a impressão de que não sabia como seu time iria sair da confusão em que se metera;

– No retorno ao campo, a expressão de D’Alessandro e Ernando era a de completo apavoramento. Tensos, olhos esbugalhados, mudos e cabisbaixos.

– Por fim, sai do vestiário o técnico Antônio Carlos Zago, em total silêncio e com explícito ar de preocupação.

 

O pavor no lado Colorado era claro e inquestionável. Todos sabem o tamanho da cruz que terão que carregar neste 2017.

Em continuando assim, certamente serão crucificados e, nesta situação, sem chances de ressurreição.

A reconstrução do Internacional ainda não recomeçou.

 

EM ABERTO

 

As duas primeiras rodadas do Gauchão, como não poderia ser diferente, mostram um campeonato que será muito acirrado. Certamente a dupla Grenal irá se recuperar, mesmo que tenha que suar muito para tal. A vantagem do Novo Hamburgo na largada, é importante numa competição de tiro curto, o que , mesmo sendo elogiável, ainda não lhe assegura nada. Complicada está a vida de Brasil de Pelotas (1 ponto) e Ypiranga de Erechim(0 ponto). Aos dois, urge vencer.

A convicção de que chegaremos na última rodada com quatro ou mais equipes brigando por classificação e rebaixamento ao mesmo tempo, tende a se confirmar.

Após a quarta rodada, firmo convicção de que haverá distância mínima entre os participantes, assim como estou convicto que só um tem chance de disparar: o Novo Hamburgo.

Para tal, terá que respeitar muito seus oponentes, não perder o foco e tão pouco a concentração buscando vencer aos dificílimos S. José e Juventude. O por quê deste vaticínio que faço é simples: o anilado joga duas em casa e certamente contará com o apoio maciço de sua torcida que está muito motivada. Terá que fazer valer o fator local.

 

NÃO RESOLVERÁ

 

Inegáveis são a liderança e a qualidade técnica de Andres D’Alessandro. No grande ídolo, estão depositadas todas as fichas da torcida colorada. Após duas rodadas do campeonato, sou capaz de apostar que o número onde a bolinha cairá na roleta , não será o 10 do vermelho.

O craque já não tem mais força física e tão pouco a impetuosidade de outrora. Ainda rende bem com a bola no pé, mas seu espetáculo não será mais solo, necessitará de coadjuvantes de qualidade. O Inter os tem?

Pois é, aí para que a justiça seja mantida,  não cobrem de D’Ale  o que ele não pode mais entregar.

 

Autor

Everton Cury

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