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Será que teremos eleições este ano? – Artigo de Ibanes Mariano

22 de abril, 2018 às 20:42 - por Ibanes Mariano

A possibilidade de não termos eleições este ano, mesmo pouco trabalhada pela grande mídia familiar, parece ser bem concreta. Quero elencar alguns motivos que podem nos colocar frente a esta situação, mas, antes lembrar que o Golpe Civil Militar de 1964 deveria durar até a eleição de 1966, no entanto perdurou por 21 anos.

 Motivo 1: O contexto internacional. O Brasil esta sob a bruma de um Golpe Institucional, com apoio dos tribunais superiores.. com tudo, como já dissera um de seus operadores. Este Golpe foi dado por que os EUA perderam a Guerra na Síria e determinaram a seus agentes no Brasil (PSDB/PMDB) que o Pré-sal deve ser deles. Em função disto uma presidente honesta, legitimamente eleita foi tirada a força do poder, sem crime cometido.

Motivo 2: As derrotas consecutivas do PSDB e a força de Lula: Este Golpe foi dado por que o PT ganhou 4 eleições consecutivas para Presidente e é o partido de preferência dos brasileiros (as) há mais de uma década, apesar dos intensos ataques que sofre e das oscilações de humor do eleitorado. Além disso, se considerarmos o fato de que Lula é pole position nas pesquisas há mais de ano e, mesmo preso injustamente, mantém a dianteira – com mais que o dobro do segundo colocado e de que ele (Lula) tem a fidelidade de, pelo menos, 30% do eleitorado brasileiro que pode votar no nome que for indicado pelo ex-presidente temos um quadro incômodo para quem tomou a Presidência da República na mão grande. As derrotas consecutivas do PSDB e dos partidos de direita demonstram um descolamento do povo e o que é pior: eles escondem seus programas de governo. Mentem descaradamente, pois só pensam em vender, vender e vender o patrimônio e as riquezas do Brasil a preço de banana pensando só em bem estar e relegando o povo brasileiro à miséria, novamente. O povo já entendeu quem faz política em benefício de si próprio ou quem faz política para beneficiar a população.

O Golpe ( que recentemente fez dois anos)  modificou princípios legais do Estado Democrático de Direito ao criar aplicações de leis exclusivamente para Lula, Dilma e o PT.

Motivo 3: os consorciados do Golpe não se entendem sobre o futuro: O consórcio que comanda o Brasil (PSDB/PMDB/DEM) faz de tudo para não cessar  a aplicação de sua agenda de liquidação do patrimônio nacional, de retirada de direitos, desemprego e redução das políticas sociais;  ao mesmo tempo que concede isenções bilionárias a grande grupos econômicos. Eles são o governo Justo Veríssimo, (aquele personagem do humorista Chico Anísio que detestava pobre). Aliás, o povo pobre esta sendo expertamente retirado do orçamento federal.

O PSDB ( também chamado de Partido dos Estados Unidos no Brasil) esta se tornando um partido nanico (Alckmin está em quinto lugar nas pesquisas feitas em São Paulo); no Brasil, o tucano paulista protegido, tem 7% de intenções de voto, enquanto que, no mesmo período em 2006, tinha 41%. Este fato demonstra a falta de alternativa viável eleitoralmente deste campo político. Destaque-se também que não há unidade de perspectiva no grupo de partidos que governa o Brasil. Se tivessem acordo Michel Temer já teria sido apeado da Presidência da República, tomada por eles na mão grande de Dilma Rousseff, legitimamente eleita em 2014. Esta falta de acordo os tem paralisado e o desgaste de ter que estar a sombra do presidente mais impopular do planeta também os deixa sem rumo. Destaque-se a mensagem do comandante do exército, sempre silencioso como constitucionalmente deve ser, por sinal, na maioria dos assuntos, mas um leão às vésperas da votação do recurso de Lula no STF. O general e a movimentação nas unidades militares disseram de viva voz que estão aí para o que der e vier.

É preciso esperar a evolução da conjuntura que esta carregada de dinamismos e de incertezas – mas hoje, seis meses antes das eleições – com os recentes ataques a democracia,  é preciso dizer que temos setores que não vem a público mas que cogitam jogar as eleições mais para adiante. Espero que tenhamos eleições, mas eles estão tentando (com a prisão inconstitucional de Lula) garantir (até aqui sem sucesso) “eleições limpas”, usando a lei contra a oposição. De outra forma o que explicaria José Serra, Geraldo Alckmin, Moreira Franco, Aécio Neves e o próprio Michel Temer não estarem presos, ou no mínimo afastados de seus cargos? Isto nunca foi combate á corrupção, e sim usar os rigores da lei contra os adversários. As eleições que o consórcio governista querem é sem Lula, de preferência sem o PT ( não conseguirão) e com seu candidato (ainda sem acordo entre eles) só indo a busca de referendo popular. Como não terão este chão asseado para pisarem no povo, insisto, tudo pode acontecer. Este jogado não é jogado com as regras que permitam que todos possam disputar em condições de igualdade, ele esta sendo amarrado para legitimar o que esta sendo feito sem apoio popular e sem respaldo legal, mesmo que mais uma vez tenha que deixar de lado o voto do povo. Aguardemos.

Ibanes Mariano

Ibanes Mariano é Historiador 

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