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Redes de mentira e um assalto de verdade – Artigo de Vinícius Brito

28 de dezembro, 2017 às 22:26 - por Vinícius Brito

Maria do Rosário já foi a figura mais carimbada da indústria do boato. Era choro compulsivo em compaixão por estuprador aqui, projeto para que presidiários fossem recebidos nas casas em plena ceia de Natal acolá e uma porrada de gente letrada compartilhando tudo isso como se fosse verdade. Espumando.

Mas a deputada andava meio esquecida das redes. Foi trocada de um tempo pra cá pela Pablo Vittar, nova escolhida das mentiras regurgitadas pela trupe do conservadorismo. Só nessa semana, por exemplo, a cantora chamou a Alcione de balofa e recebeu R$ 5 milhões do governo, de acordo com a mente doentia da Fake News.

Devo reconhecer que sobra coerência nessa turma que argumenta com o intestino na hora de eleger uma nova vítima: entre uma mulher e uma drag-queen, o preconceito tem cadeira VIP. Quando as figuras ainda ousam ter liderança, sucesso e autonomia, caso da Maria e da Pablo, a coisa fica mais raivosa.

Mas, dessa vez, Maria do Rosário foi manchete de notícia de verdade. Ela foi assaltada. Levaram o carro dela. E a internet? Vibrou, sob o falacioso argumento de que a deputada é “defensora de bandido” e agora recebia a lição que que tanto merecia.

Não quero me ater ao fato de alguém comemorar um assalto. Quem reagiu assim precisa procurar ajuda urgente pra tentar ser uma pessoa melhor. Tem ano novo chegando e essas datas carregam uma simbologia importante pra quem quer dar uma virada na vida. Bora pro divã, pro altar, pro terreiro ou tudo ao mesmo tempo. Eu acredito! Por Freud, por Deus, por Oxalá!

Por fim, já pedindo escusas pelo textão, conto que decidi ir atrás da atuação parlamentar da Maria do Rosário. Dispensei os projetos. Fui só nas leis aprovadas. Pois descobri que a defensora-mor da bandidagem foi autora/relatora de lei que:

– Aumentou a pena para crimes de lesão corporal e homicídio contra policiais.
– Definiu a exploração sexual de crianças como crime hediondo.
Também tornou crime hediondo o assassinato de mulheres motivado por questões de gênero.
– Garantiu a escuta protegida para crianças vítimas ou testemunhas de violência.
– Ainda presidiu CPI que investigou as redes de exploração da prostituição infantil no Brasil. 

Tchê. Será que a mulher é tão bandidólatra mesmo?

Vinicius Brito, é jornalista. 

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