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QUE SINA! – CRÔNICA DE JOÃO EICHBAUM

01 de novembro, 2017 às 09:19 - por João Eichbaum

O pai dele havia fugido para o Chile, com medo dos militares. Lá se engraçou na irmã da namoradinha de um amigo. Por obra e graça desse cruzamento de raças e acasos, surgiu no mundo o Rodrigo. De certo com aquela cara, que até hoje tem, de Bebê Johnson.

Aliviada a pressão militar, a família se fixou no Brasil, tendo o avô bancado emprego e aluguel de apartamento para o pai do menino. O resto, mais tarde, resolveram os eleitores cariocas, proporcionando ao chefe da família a graça de flutuar no nirvana material da política, que garante boa vida, no presente e no futuro.

De modo que Rodrigo, bancado pelos contribuintes, foi criado forte e feliz, como acontece às bem fornidas famílias de classe média alta, na Barra da Tijuca. Lá, cercado de muros e câmeras de segurança, ouvia os bramidos do mar e contemplava a lua fúlgida, a salvo dos descuidos de Deus.

Cursou os melhores colégios, o tradicional Santo Agostinho e o Padre Antônio Vieira, onde crianças da Rocinha não têm acesso. Repetiu o primeiro ano do segundo grau e acabou numa escola sem muito charme, chamada Impacto.

Nunca foi brilhante em coisa nenhuma. Mas, enturmado na elite, com amigos ricaços e influentes, vivia as noites cariocas e seus prazeres, embora confesse que, por timidez, (não seria por causa de sua cara de bebê?) não tinha muita sorte com mulheres.

Não se formou em faculdade alguma, apesar de ter ingressado no curso de economia. Esteve nos Estados Unidos, por algum tempo, a pretexto de estudar inglês. Entrou na política, fazendo dobradinha com Eduardo Paes. Hoje, ambos respondem a investigações.

Depois de deixar a namorada, com quem teve dois filhos, fez luxuosa festa de casamento, para 500 convidados, com a filha da segunda mulher de Moreira Franco, o Gato Angorá. A festa foi acompanhada do lado de fora com apupos, sem música, mas com letra: “filho de corrupto casa com filha de ladrão”.

Com aquela cara, não leva jeito para peitar alguém. Na única vez que se permitiu brigar, teve que meter o rabo entre as pernas: um muxoxo do contendor, Nelson Jobim, ao som de um desdenhoso “guri de merda”, lhe deu fim à valentia.

Fornecido pela “Piauí”, esse é o perfil do chileno carioca que passou a dar as cartas na República. Vai ser o líder de Michel Temer, para meter goela abaixo do povo as reformas: em regime de urgência, como se elas servissem para mudar o destino dos moribundos.

Não fosse Temer mascatear cargos e verbas em troca de votos, quem estaria governando, ou desgovernando, o Brasil hoje seria ele, o presidente da Câmara de Deputados, o gordinho com cara de bebê, Rodrigo Maia. Que sina tem esse país!

Autor

João Eichbaum

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