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QUAL A SUA VELOCIDADE? – Artigo de Luciano Apolinário

29 de agosto, 2017 às 12:36 - por Luciano Apolinário

De fato chegamos a era a velocidade. O que antes era tangível somente para os jatos supersônicos hoje nos chega sem sairmos do lugar, e muito mais rápido que a viagem num jato.

 A velocidade da informação, das transformações, das descobertas nunca foi tão exponencial.    Por conta disto, estamos experimentando algo que, de forma geral, o cérebro das gerações pré ano de 1990 tem dificuldades para acompanhar.

Mudar a vida com chegada do fac-símile(fax); telefone sem fio; dvd; blue ray já foi quase um choque. A chegada do celular no Brasil trouxe algo fantástico, as mensagens de texto (a época conhecidas como torpedos) integradas ao telefone, dispensando o pager.

Contudo, ninguém esperava que o celular se tornasse a ferramenta de trabalho mais importante da última década, fazendo-se tão vital, para a maioria dos humanos, quanto um fígado ou dois rins. Nada, mas absolutamente mais nada, imaginamos fazer sem um aparelho de celular, nem mesmo sexo, haja vista que muitas pessoas, talvez com medo de saber lidar com pessoas de verdade, mas totalmente a vontade com máquinas, preferem assistir vídeos, propagar nudez ou promover pornografia virtual.

A velocidade de tudo isto espanta. Espanta pela quantidade informações, com qualidade, e muito mais pela absurda quantidade de informações sem nenhuma qualidade, e que deveria nos preocupar.

Porém, de uma forma ainda mais espantosa, considerando que nunca se teve tanta facilidade de acesso a fontes de informação, pesquisa instantânea e variadas fontes para formar opiniões próprias, a maioria dos usuários prefere repassar aquilo que recebe pronto. E ai chegam os milhares de compartilhamentos de notícias e fatos que, noutros tempos, se assemelhariam a histórias do boitata.

Por outro lado, se formam, em cada vez maior número, profissões que nem o desenho animado dos Jetsons (família do futuro criada em desenho no ano de 1962) conseguiu prever. Podemos ainda não ter carros voadores pelas nossas cidades, porém, temos um considerável número de pessoas que se postam a protagonizar cenas bizarras em frente a câmera de um celular e faturam mais que a média de salários de médicos, engenheiros e advogados, profissões estas que eram o sonho de consumo de todo pai de família.

Mas então, qual a velocidade do seu pensamento para aceitar que o futuro do seu filho possa ser fazendo um vídeo sobre como construir um bolo de bolacha Oreo em casa e não ganhar pela fabricação do bolo, mas sim pelo video e a forma como ele é apresentado para o mundo?

Numa visão tradicional a resposta para isto seria: “você é um idiota achar que isto dá dinheiro!”

Na realidade vigente, o autor do vídeo comprou uma casa de mais de 2 milhões de reais somente com a produção de vídeos neste estilo.

 Então, qual a velocidade do seu pensamento para aceitar que seu genro ou nora pode não ser um Dr. ou uma Dra., mas um MC ou um youtuber e ser feliz, sem faculdade e com confortável situação financeira.

 Estamos precisando aceitar que esta velocidade esta nos consumindo. Padrões estão sendo quebrados em frações de segundos. Quando para nossos pais era difícil aceitar que uma fita VHS poderia gravar o Jornal Nacional, hoje nos transtorna o pensamento não saber sequer qual a tecnologia que teremos que comprar para nos mantermos atualizados no café da manhã do outro dia.

Acompanhar toda esta evolução é impossível, porém, o que ainda não deve ser perdido é a capacidade de diálogo inerente a todo ser humano, bem como a capacidade de raciocínio lógico, evitando que, o que antes chamávamos de “enlatados” (filmes comprados do mercado norte-americano e massificados nas tvs dos países subdesenvolvidos), seja apresentado agora na forma de comportamento, opiniões e ideias sobre comportamento.

É preciso lembrar que toda unanimidade é burra, e que a contestação  sem fundamento é a mãe da unanimidade.

Luciano Apolinário é Advogado 

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