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PRECISAMOS DISCUTIR O ABORTO – Artigo de Juliano Maciel

09 de novembro, 2017 às 18:04 - por Juliano Maciel

Nesta quarta-feira, dia 08 de novembro de 2017, nosso Congresso deu mais uma mostra do quão retrógrado está. Uma Comissão Especial, montada pelo Presidente Rodrigo Maia por pressão da Bancada Evangélica, se reuniu e aprovou o texto base da PEC 181/2015 que, dentre outras coisas, proíbe o aborto mesmo em casos de estupro, gravidez com risco de morte à mãe e bebês anencefálicos.

Vejam vocês que extraordinário: o texto teve 19 votos. Destes, 18 aprovaram e 1 voto foi contrário. Os 18 que votaram favoravelmente era homens. O único voto contrário, de uma mulher (Deputada Erika Kokay). Com que autoridade e propriedade estes deputados acham que podem decidir algo tão delicado em relação ao corpo das mulheres?

Esta atual Legislatura tem um perfil extremamente conservador (em alguns casos até fundamentalista), que tem atrasado o nosso país. Uma desqualificação gritante, que se desnudou para todos na patética votação do impeachment da Presidente Dilma. Bancada da Bala, Bancada Evangélica, Bancada da Bola: todos defendendo seus interesses pessoais e dogmáticos, sem nenhuma visão coletiva, de nação. É preciso dar um basta nisso, urge uma mudança no perfil parlamentar nas eleições de 2018.

Na Reforma Trabalhista, já haviam aprovado a permissão de grávidas e lactantes atuarem em local insalubre, acabando com a proibição tácita constante no Artigo 394-A da CLT. Agora, esta proibição do aborto em todos os casos, revogando legislação de 1940! Isto tem que ser sublinhado: em pleno 2017 regredimos a patamares mais atrasados do que tínhamos em 1940!

Em nome exatamente de que ou de quem defendem esta aberração? De Deus? Que interpretação tosca é essa das palavras e dos ensinamentos dele? Respeitando a fé de cada um, lembro que estamos num Estado Laico. A gestação é um ato de amor, de cumplicidade profunda entre a mãe e o feto que se cria. Como obrigar uma mulher a completar uma gestação fruto de uma violência atroz? Se ela optar por ter o bebê ok. Mas obrigar jamais!

Estar debatendo isto em pleno Séc. XXI, por si só, já é assustador. Mas precisamos estar fardados e dispostos a enfrentar esta horda reacionária que está atrasando a nossa sociedade. Tenho esperanças que a pressão popular fará o Plenário da Câmara vetar este absurdo, vamos à luta.

Juliano Maciel é Cientista Político 

 

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