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A política no divã – Artigo de Jackson César Buonocore

09 de novembro, 2017 às 17:43 - por Jackson César Buonocore

O debate político no Brasil não pode ser pautado apenas entre “coxinhas” e “mortadelas”, que estão levando os conflitos ao rebaixamento do ser humano em seus instintos de avidez, esgotando o discurso político.

Hoje o estranhamento entre os fulanos de direita e os beltranos de esquerda é de natureza patogênica, ou seja, uma fixação maternal-racial-nacional-religiosa, que empurra os grandes pensadores, como Marx e Freud, a virar-se em seus túmulos ao ouvirem tantas tolices.

A ética aristotélica considera que o homem na sua dimensão política é capaz de governar suas paixões através da razão e das normas. Porém, essa noção básica de política é deturpada por uma visão maniqueísta, que insiste dividir o País entre os do bem e os do mal.

Este maniqueísmo busca “demonizar” a imagem do adversário e “santificar” os seus próprios argumentos, gerando o desencantamento com a política e dá vazão ao neofascismo à brasileira: censura da arte, produção de notícias falsas, violação dos símbolos religiosos, etc, confundindo liberdade com destrutividade.

É preciso colocar a crise política no divã para fazer uma profunda análise de seus vínculos entre as pessoas e o poder, os indivíduos e a massa, o narcisismo e a sexualidade, a fim de entender como se dará a nova formação social e ética na política brasileira.

Apesar destas contradições, a democracia é um sistema capaz de punir a corrupção e promover alternância no poder. E também nos permite coexistir de modo respeitoso, sem a necessidade destruir ou difamar os outros, que não concordam com as nossas opiniões.

Jackson César Buonocore é sociólogo e psicanalista

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