Hoje é terça-feira, 22 de maio de 2018

Publicidade

A Política e o Político na Era da Informação – Artigo de Diego Rosa

10 de maio, 2018 às 16:03 - por Diego Rosa

Como se deve reagir ao excesso de informações disponíveis

A história da humanidade é dividida pelos historiadores em eras. As eras são longos períodos nos quais vigora uma característica predominante do modo de produção. Assim, por exemplo, na era medieval a produção era essencialmente agrícola. Em meados de 1800 novas técnicas de produção foram surgindo com a utilização de máquinas que passaram a substituir o trabalho humano e, desse modo, começava a era industrial. De 1980 a 1990, houve um grande avanço na tecnologia de comunicação e o político tem de estar preparado para os desafios desta nova era. Nas últimas décadas do século passado, 1980 e 1990, houve um grande avanço na tecnologia de comunicação com o aumento das transmissões via satélite e surgimento da Internet. De lá para cá passamos a viver na era da informação. Por que era da informação? Porque existe uma super oferta de informações.

Mecanismos de difusão da informação

Sem dúvida a televisão e a Internet são os principais veículos de transmissão de informação. A Internet é um fenômeno recente mas a televisão nem tanto. O que mudou na televisão foi o surgimento dos canais a cabo. Há 15 ou 20 anos os aparelhos de televisão eram fabricados com um seletor de canais redondos e com opção de 6 ou 7 canais. Naquele tempo era possível saber em instantes a programação que passava em todos os canais. Com o advento da TV a cabo há uma oferta de 50, 60 ou mais canais. Ficamos sempre com a impressão de, ao optar por um canal, perder alguma programação interessante que esteja passando nos demais. Já a Internet possibilita a comunicação com qualquer parte do mundo em tempo real dispensando muitas vezes a leitura da imprensa escrita (jornais e revistas). Quase sempre os mesmos conteúdos são encontrados nela a qualquer momento e em muitos casos, de modo mais econômico. Nesse cenário o político muitas vezes é cobrado a responder assuntos sobre os quais não tem informação porque não leu determinado jornal, não entrou em algum site, não assistiu ao documentário que passou no canal x ou y. O fato é que, de modo geral, o eleitor não perdoa a desinformação, o que torna cada vez mais necessária a utilização de critérios na escolha da informação.

Selecionando informações

Informações sobre cidades podem tanto ser obtidas de recortes de jornais ou via Internet Embora possamos afirmar que o grau de exigências de informações esteja relacionado ao âmbito de atuação do político, muitas vezes os fatos extrapolam fronteiras tornando acontecimentos locais, regionais ou nacionais em questões globais. Para o político que atua no âmbito municipal certamente o que os eleitores mais podem cobrar é que, o vereador, prefeito ou secretario municipal esteja por dentro dos assuntos do seu município, seja o acidente que ocorreu na rua tal por causa de um buraco no asfalto, seja o casamento da filha dessa ou daquela família, enfim assuntos locais. Neste caso os principais veículos de informação são jornais de circulação e as estações de rádio comunitárias, o que se encontra tanto em grandes centros urbanos como em pequenas cidades do interior. Os deputados estaduais, governadores e secretários de estado são cobrados pelos eleitores, tanto a respeito de informações de âmbito estadual, como questões relacionadas aos municípios ou regiões. Para deputados estaduais e secretários de estado as cobranças eleitores muitas vezes estão relacionadas a um aspecto específico. Por exemplo, a ocorrência de geada ou seca que prejudicou esta ou aquela cultura no município ou a falta de merenda escolar, o crime violento na pacata cidade “y”, etc. Neste caso, o político deve concentrar ou exigir de seus assessores o armazenamento de informações relacionadas a sua área de atuação ou região específica. Essas informações tanto podem ser recolhidas de recortes de jornais ou via Internet. Para o governador de estado a necessidade de informação é maior porque há mais cobrança dos eleitores. Obviamente o governador não tem condições de saber tudo o que ocorre no seu estado e na sua administração. Neste caso a recomendação e que o político encarregue sua assessoria de selecionar e armazenar informações relevantes em arquivos organizados por assuntos. Quando for possível, o governador pode cobrar de seus assessores a elaboração de um boletim diário resumindo as notícias de seu estado. Para os políticos que atuam no âmbito nacional, deputados federais e senadores, as exigências de informação dizem respeito ao país, ao estado e ao município ou municípios que formam sua base eleitoral. Neste caso, o político deve procurar ler pelo menos um dos grandes jornais nacionais, acompanhar o Diário da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal e encarregar sua assessoria de selecionar e armazenar informações de seu estado e região. Para aqueles deputados ou senadores que tiverem escritórios políticos no estado e num ou outro município, uma boa dica é incumbir sua assessoria local de organizar recortes de jornais em pastas e por assunto, para que o político possa ler quando estiver em visita às bases.

O local e o global

O político precisa ser criterioso e sistemático, selecionando sempre informações relevantes, para estar preparado para a era da informação As sugestões aqui apresentadas são formas de selecionar e organizar métodos de informações essenciais uma vez que, não há possibilidade de acompanhar e digerir todas as informações que diariamente são oferecidas pelos mais diversos veículos. Entretanto o político, em qualquer que seja o âmbito de sua atuação, deve estar sempre atento a acontecimentos que, embora ocorrido em lugar específico, rapidamente adquire dimensões globais e exige que o político esteja apto a esboçar sua posição para os eleitores. Esses acontecimentos tanto podem envolver questões ambientais como a morte de uma baleia, o vazamento de algum navio petroleiro, a emissão de gases tóxicos por uma fábrica, como questões morais como a prática de eutanásia em algum paciente em estado terminal num hospital americano ou europeu, etc. Em fim, não há mais fronteiras para fatos e informações. É preciso ser criterioso e sistemático, selecionando informações relevantes para sua área de atuação mas estar atento para assuntos que possam exigir seu posicionamento.

­Diego Rosa é Cientista Politico

Publicidade

quero-quero-banner-1024x97

2016 - Todos os direitos Reservados