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Os conteúdos falsos e a influência nas eleições brasileiras – Artigo de Alessandra Fedeski

13 de dezembro, 2017 às 17:11 - por Alessandra Fedeski

As próximas eleições devem consolidar a influência da internet na decisão do voto. De caráter tímido ainda em 2008, nos Estados Unidos, passando por adaptações e ampliação dos meios de difusão, chegamos à era das criações totalmente pensadas para o digital. Estamos na era em que o Tribunal Superior Eleitoral-TSE do nosso país sente a necessidade de criar um grupo de trabalho para combater fake news– notícias falsas divulgadas da internet, replicadas nas mídias sociais e que podem interferir no processo eleitoral- como ocorrido também nos Estados Unidos quando hackers russos disseminaram informações falsas que teriam prejudicado a candidata derrotada. Deste modo, é compreensível a preocupação do TSE, visto que pesquisa realizada pelo Ibope apontou que 68% das pessoas aptas a votar fazem uso da internet.

A grande massa do eleitorado acessa suas redes sociais com muita frequência e mantém contato com todo tipo de conteúdo. E, normalmente, as pessoas não procuram verificar a veracidade daquilo que estão recebendo e compartilham informações de toda ordem, fazendo com que determinado assunto passe a ser discutido e tomado como verdade. Esse tipo de situação já existia antes da internet e das mídias sociais, porém, agora, seu potencial de devastação está potencializado. Desfazer um boato torna-se tarefa árdua e com resultados inferiores aos alcançados pelas fake news disseminadas.

A polarização política crescente no Brasil- ampliada com as discussões geradas nas mídias sociais- e a disseminação dos discursos de ódio entre correntes partidárias ou apartidárias de pensamentos diversos fortalecem o mau uso das mídias sociais. Neste cenário, onde não há um embate frente e frente, a população, ao que me parece, se sente mais disposta a discutir sobre qualquer assunto, ainda que não seja capaz de discorrer com fluência acerca do que está sendo debatido. Opinar, tomar um lado e julgar o outro de forma negativa encerra a discussão.

Uma notícia de teor falso, planejada para ser amplamente disseminada e tornar-se pauta nas interações das redes, tende a causar danos à nossa democracia. Esse risco é cada vez mais iminente e, cabe a nós, a grande massa da população, cobrar do poder público, da justiça e das empresas de internet que são líderes em número de usuários o combate às fake news. Esse tipo de atuação precisa vir de cima para baixo para surtir efeito de forma rápida e o mais eficaz possível. Empresas como Facebook e Google, os grandes exponentes da internet atualmente, também devem se responsabilizar pelo conteúdo compartilhado em suas plataformas e cumprir efetivamente o papel social conquistado por elas, banindo usuários que espalham conteúdo falso e criando políticas de verificação de autenticidade de perfis e de postagens. Obter esse tipo de controle é difícil em virtude da grande quantidade de usuários e conteúdos disseminados por segundo. Porém, somente os detentores da tecnologia podem ser capazes de frear aqueles que fazem uso inadequado dos seus meios. A capacidade de verificação e banimento das fake news por parte dos usuários é muito menor e de alcance pouco eficaz.

Ainda que seja possível prever algumas atitudes que estarão presentes na próxima eleição em termos de uso da internet para influenciar decisões, baseados no que acontece em outros países, será durante o período eleitoral que poderemos verificar a real proporção das fake news e as intenções daqueles que estarão no pleito.

Alessandra Fedeski- Jornalista com pós-graduação em marketing político.

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