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O SÉTIMO MANDAMENTO – Artigo de João Eichbaum

06 de julho, 2017 às 14:46

Na hora do aperto, na hora do pega pra capar, o cara apela para o primeiro santo que aparece. Tanto para curar câncer de próstata, como para vestir a toga de ministro do Supremo Tribunal Federal. Seja o que for, o sujeito até abre mão da sua crença, em troca de meio mais eficaz do que reza pra santo.

O hoje ministro Edson Fachin, que é um homem de oração e de sacristia, pegou carona, segundo as más línguas, no andor de um padroeiro de carne e osso, o Ricardo Saud. Para quem não se lembra ou não sabe: esse senhor era o executivo todo poderoso da JBS, encarregado das propinas.

Ao invés de se ajoelhar aos pés do altar e de fazer promessas de missa, velas ou comunhão todas as primeiras sextas feiras de cada mês, Fachin, acompanhado do executivo, peregrinou por gabinetes de parlamentares que tinham o poder de recomendá-lo como ungido. E chegou lá. Todo mundo sabe disso.

Quer porque sua vida tenha sido escolhida para fazer parte de um roteiro assinado pelo destino, quer por razões que tramitem secretamente entre o céu e a terra, o certo é que foi cair no colo do Fachin a delação da JBS.

E a parte maldosa do enredo do destino, se é que foi o destino, é a que inclui, na trama, o Rodrigo Loures como personagem escalado para carregar uma mala com quinhentos mil reais, a serviço do já mencionado Ricardo Saud. Fachin teve que mandar prender Loures.

Loures passou por maus momentos. Primeiro o ameaçaram de morte, no presídio da Papuda. Transferido para a carceragem da Polícia Federal, foi jogado às traças. Trancafiaram-no numa cela sem chuveiro e sem o buraco de boi, aquele que recebe as partes despachadas pela bexiga e pelos intestinos.

Nesse ínterim, a rotina do Supremo Tribunal Federal levou para a Turma a que pertence o ministro Edson Fachin o julgamento de “habeas corpus” em favor de uma mulher. A infeliz furtara um desodorante e alguns chicletes num supermercado. Fachin não teve dúvidas. Aplicou nela o artigo quinto dos dez mandamentos: não furtarás.

Já a história de Rodrigo Loures teve outro desfecho. Quando soube das condições a que estava submetido o homem que carregara a mala entregue por Ricardo Saud, Fachin mandou substituir a prisão por tornozeleiras. E Loures foi para casa.

Antes de sumir no recesso de julho, soube-se que o ministro chamou o bispo auxiliar de Brasília para lhe benzer o gabinete. Talvez o mova a esperança de que seu anjo da guarda não faça carinha de nojo, ao ver, de agora em diante, pobres mofando na cadeia e ricos nadando no dinheiro sujo.

 

 

 

 

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