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O LADO CRUEL DA FÉ – Crônica de João Eichbaum

24 de agosto, 2018 às 13:28 - por João Eichbaum

Marozia Theofilato foi amante do papa Sérgio III, quando tinha 15 anos de idade e teve com ele um filho, que também foi papa, João XI. Teodora, mãe de Marozia, foi amante do papa João X. O papa João XII teve em sua cama, além da amante de seu pai, uma sobrinha e várias outras mulheres. Corre à boca pequena que a morte o surpreendeu, quando ele copulava com uma mulher casada: chamado à eternidade, foi para o gozo no céu…

Esses são apenas alguns exemplos de quão arrasador é o feitiço do sexo. E são apenas parte de uma história maculada por negociatas, ambições políticas, vendas de indulgências e outras imoralidades que serviram de argumento para que Martinho Lutero fundasse o seu credo religioso.

Mas, antes que Lutero a desmantelasse totalmente, a Igreja Católica lançou mão do contraveneno: o terror da Inquisição, a fé imposta pelo medo do inferno, a transformação da sexualidade em pedra angular do pecado, que fecha as portas da vida eterna.

O medo imposto aos fiéis transformou a face da instituição instalada no Vaticano. Por longo tempo ela se manteve como marca segura de salvação, soberania sagrada, respeitada por monarcas, estadistas, ditadores, e destinada a servir no júri do Juízo Final.

Desde então os papas não tiveram amantes. Cardeais, bispos e padres, passaram a ser tidos como criaturas escolhidas a dedo pelo Espírito Santo, com poderes para abrir as portas do céu. A pompa dos cerimoniais religiosos, a liturgia e os ritos adensavam as forças do ministério sacerdotal: tudo alimentado pela fé punitiva.

Mas, com a modernização introduzida pelos concílios Vaticano I e II, a instituição se secularizou, a ameaça do inferno foi perdendo a força e, por trás dos bastidores, a concupiscência foi provando que não existem mandamentos divinos superiores às funções biológicas.

Hoje, os escândalos clericais por conta da luxúria, revelando a força das leis da natureza, que exigem a continuação da espécie através do sexo, estão desmascarando a mentira da castidade sacerdotal. E a conivência da hierarquia eclesiástica, escondendo, no abismo do silêncio, hediondos crimes sexuais contra crianças, faz a Igreja voltar ao túnel negro de sua história, desdenhando das palavras que ela própria atribui a Jesus Cristo (Mateus, 18:6): “ai de quem escandalizar algum desses pequeninos; melhor fora que se lhe amarrasse ao pescoço uma pedra de mó, lançando-o no mar”.

 

 

Autor

João Eichbaum

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