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O DEPUTADO TIRIRICA – Crônica de João Eichbaum

07 de dezembro, 2017 às 14:08 - por João Eichbaum

 A primeira notícia que circulou nas redes sociais foi de que Tiririca havia renunciado ao mandato. Mas, não foi bem assim. Ele apenas usou da palavra em plenário, pela primeira e, provavelmente, pela última vez, para anunciar que abandonaria a política.

Um dia antes do único discurso de Tiririca, havia sido divulgado o resultado de uma pesquisa, segundo a qual os parlamentares brasileiros estão muito abaixo do aparelho excretor dos cachorros, perante a maioria da população brasileira.

A primeira impressão era, pois, de que o fedor era tanto naquela posição, que o deputado iria renunciar. Se assim fosse, Tiririca seria um herói, um homem digno de ser homenageado pelo brio, pela hombridade, pelo espírito franciscano, ao abrir mão das mordomias e  dinheiros que chovem na horta dos parlamentares.

Como não houve uma inequívoca demonstração de nojo com o traseiro do cachorro, há de se encarar sob reservas esse anúncio de abandono da vida política. Falta muito tempo ainda para o fim do mandato. Até lá, muita água há de passar debaixo da ponte.

É bom não esquecer que, tendo sido um multiplicador de votos dos eleitores nordestinos, Tiririca carregou para dentro do parlamento mais três deputados. Sem ele, seriam quatro deputados a menos na legenda. A turma do deixa disso vai vir pra cima dele, certamente, pedindo reconsideração, não faz assim com a gente e tal e coisa…

Por outro lado, ao invés de coragem, Tiririca deixou escapar um certo servilismo, ou temor reverencial, que alimenta a decepção do povo. Disse ele: “eu jamais vou falar mal de vocês em qualquer canto que eu chegar e não vou falar tudo o que eu vi, tudo o que eu vivi aqui, mas eu seria hipócrita se saísse daqui e não falasse realmente que estou decepcionado com a política brasileira, decepcionado com muitos de vocês. Eu ando de cabeça erguida porque não fiz nada de errado, mas acho que muitos dos senhores não têm essa coragem”.

Antes tivesse ficado quieto. Se não vai falar tudo o que viu e o que viveu lá dentro, está sendo mais um traidor do que um herói. Ao dizer que está “decepcionado com a política brasileira” não anunciou grande coisa: só jogou pra plateia.

Se contasse toda a verdade sobre seus dias vividos no parlamento, Tiririca não estaria fazendo mais do que cumprir o seu dever, apresentando um balanço honesto para os eleitores. Com o silêncio cúmplice dele, o povo vai continuar não sabendo se o parlamento brasileiro é a casa da sogra  ou a caverna do Ali Babá.

 

Autor

João Eichbaum

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