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O BRASIL DOS MARIMBONDOS – Artigo de Jackson César Buonocore

29 de abril, 2018 às 18:37 - por Jackson César Buonocore     

Um seguidor do candidato de extrema direta postou nas redes sociais, uma foto de dois adolescentes, que se esconderam no mato da polícia militar e foram atacados por marimbondos. Os rostos dos meninos negros ficaram deformados pelas picadas dos insetos. Esse internauta, escreveu:  “O Brasil que eu quero é um Brasil com mais marimbondos. ” 

O grande desafio democrático é garantir que a informação e o conhecimento circulem livremente na internet. Mas o mal também circula pelas redes sociais, fazendo apologia às soluções violentas, até das tragédias provocadas na natureza. Um dos inúmeros exemplos doentios, é de um Brasil com mais marimbondos – para picar os pobres –, por serem acusados e culpados pelos nossos problemas sociais.

Uma pesquisa, de 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que cerca de 50 milhões de brasileiros, o equivalente a 25,4% da população, vivem na linha de pobreza e têm uma renda familiar equivalente US$ 5,5 por dia, valor adotado pelo Banco Mundial para definir se uma pessoa é pobre.

O fascismo virtual atua de modo panfletário, chegando ao delírio de desejar metralhar uma das maiores favelas do Rio de Janeiro, onde as pessoas sobrevivem com US$ 5,5, por dia. Esses indivíduos, na sua insanidade, acreditam que têm licença para matar – os bandidos pobres – que moram nas periferias.

Alguns efeitos dessa panfletagem são obtidos através de procedimentos agressivos. E mesmo assim os fascistas são levados a sério, porque ousam passar por idiotas. Na verdade, quem fomenta esse Brasil dos  marimbondos contra os mais pobres são os líderes fascistas, que podemos diagnosticá-los como histéricos

O comportamento histérico na internet e nas relações sociais preenchem esse vácuo existencial e político, que vivemos hoje no País e que viveu Alemanha na época de Hitler. A histeria fascista afirma o seu princípio do prazer e nega o princípio da realidade, ou seja, não tem nenhum pudor – para se expressar seu instinto de morte –, sobretudo, contra a existência de 54 milhões de pobres brasileiros. 

Jackson César Buonocore é sociólogo e psicanalista

 

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