Universitário viaja à América do Norte e estuda as teses sobre 2012 e o dito apocalipse maia
Universitário viaja à América do Norte e estuda as teses sobre 2012 e o dito apocalipse maia
11/06/2010 às 09:55
Quando se aproximava o ano 2000 se falava do fim do mundo, embasado em diversas teses conspiratórias. Depois da grande mídia alcançada através do filme 2012, a teoria do Fim do Mundo, a partir dos Maias, o desejo do universitário Johnatan Ricardo Kempf Rauber visitar o México só fez crescer. E para lá ele foi tendo o ápice do trabalho universitário quando descreve as tratativas e concepções de Fim do Mundo, prevista pela civilização Maia, em 2012.
Nos dias atuais é comum ver na mídia escrita ou falada noticiários sobre a temática, assim, Jonathan procurou por em “pratos limpos” os estudos sobre o assunto. Segundo o relato de Rauber “os Maias desenvolveram concepções de tempo através de elaborados calendários lunares e solares, que mediam o tempo, horas, dias, meses e anos. Eram astrônomos por excelência e foi pelas observações que fizeram é que descreveram em pedra profecias para determinar o que deveria começar ou terminar com relação ao ambiente em que o homem vive e se desenvolve. Em primeiro lugar é preciso deixar claro, que a mídia nem sempre divulga a veracidade dos fatos procurando desta forma índices de venda ou audiência. Embora estejamos apenas em 2010, já é possível perceber a dimensão que o tema deve ganhar ao final de 2011 e 2012”.
A pergunta é: “Se o mundo vai acabar em 2012, o que vem depois?” Na realidade, a palavra “Fim” tinha outra conotação para a civilização Maia. O que consideramos o fim, para os maias representa o renascimento, mudança. O calendário maia evidência um mundo de transformação, e não um fim de fato. Esta concepção de “Fim” é uma ideia que não os preocupava. Segundo o relato do estudante da Unisinos, as profecias que estão descritas em pedra e são divididas em sete itens que relacionados abaixo:
1. A humanidade deverá escolher em desaparecer como espécie pensante ou evoluir para se integrar harmonicamente com o resto do universo. (Esta parte explica as demais profecias).
2. O comportamento da humanidade deve mudar rapidamente em todos os sentidos de suas relações.
3. Uma onda de calor aumentará a temperatura do planeta provocando mudanças climática, geológicas e sócias de magnitude e velocidade assombrosa.
4. O aquecimento provocará o derretimento do gelo nos pólos
5. As relações humanas entraram em colapso, e levando ao caos e à guerra.
6. Um cometa passará próximo ao planeta Terra. Os maias como observadores dos céus, acreditavam que os cometas eram os mensageiros de boas novas, e, que em alguns casos poderiam provocar o caos se caso chegassem a se chocar com a terra.
7. Seria a oportunidade final para a mudança de conduta da humanidade. Caso contrário, não será o mundo que irá acabar com a humanidade, mas a humanidade com o mundo.
Como se pode perceber são profecias que a própria humanidade cumpre diariamente. O ano de 2012 é a contagem final que os maias conceberam para a humanidade melhorar ou sucumbir (não no sentido de acabar, mas de sofrer as conseqüências). Nada vai terminar apenas recomeçar de diferente forma. Ou melhoramos atitudes ou o caos, a guerra deverá tomar conta de nossas ações.
O trabalho de Jonathan foi intitulado como “Sangue, Chocolate e as Profecias Apocalípticas na América Antiga”, dando a entender que se trata não apenas da tese Maia, mas também dos sacrifícios feitos no passado e a paixão mexicana por chocolates.
“O meu objetivo com a ida para o México é trabalhar justamente com fontes primárias de pesquisa, já que o governo mexicano tem normas de proteção nacional ao seu patrimônio e impede que documentos originais (ou qualquer outro tipo de material) de determinadas épocas sejam retirados de seu território. Não quero trabalhar com especulações difundidas pela mídia, e sim quero trazer possibilidades de respostas e alternativas de discussão sobre o tema. Quero ter fundamento nas minhas propostas e apontamentos. A população deve ignorar qualquer tipo de apresentação sobre o tema que não se sustente em aprofundadas pesquisas do meio acadêmico e científico. Os esotéricos, a bruxaria, a religião, e a imprensa vão tentar tirar proveito desta situação, porém é preciso cautela. E claro que tenho objetivos turísticos no México.”, destaca Johnatan.
A viagem deverá ocorrer em final de julho, de modo que ele possa associar os conhecimentos teóricos e literários aos que irá sorver dos locais deste México misterioso, histórico e caliente.
O desejo de conhecer o México começou ainda quando cursava o Ensino Fundamental, na escola Felipe Jacob Klein de Arroio do Ouro. No ano de 2002 a Secretaria Municipal de Educação elaborou a nível municipal uma Feira Interdisciplinar entre as escolas, e, o assunto que estava sendo estudado no momento era o México e suas peculiaridades. Na ocasião foi desenvolvida uma vasta pesquisa sobre aspectos políticos, econômicos, administrativos e, sobretudo culturais do país. “Lembro que no dia da feira dançamos um ritmo típico do país. Ganhamos titulo de trabalho destaque, e, representamos o município em nível regional. O trabalho foi desenvolvido pela coordenação da professora Jaqueline Brandt”, enfatiza Rauber.
A História antiga mexicana está envolta em mitos e lendas, sendo que as civilizações que existiram no México rivalizam-se com Roma em sua sofisticação. “A partir daí comecei a rascunhar as primeiras palavras e parágrafos do meu Trabalho de Conclusão. Normalmente os trabalhos de conclusão do curso estão voltados para a história das imigrações, sobretudo a germânica, ou então, para fatos e acontecimentos que fogem à nossa concepção de realidade. Não quis desenvolver pesquisar com olhares para o continente europeu, ou qualquer outro continente”, aponta o universitário.
Sangue e chocolate
Outro item que vai receber destaque no trabalho é o Chocolate. Embora de pouco conhecimento da sociedade, é da região central da América que as concepções de chocolate que temos atualmente foram criadas e inventadas (o mesmo ocorre com o milho). Na América Antiga, o uso do cacau em sua forma natural, e, mais tarde o chocolate propriamente dito, que era usado como dinheiro em trocas comerciais e, sobretudo nas manifestações religiosas envolvendo os sacrifícios humanos.
“Gosto do México porque ele é um país “Caliente”. Aguardo ainda a documentação para a liberação da passagem e visto pelo consulado mexicano. A intenção é aprofundar bem a discussão no trabalho de conclusão para estender a temática para Especializações, Mestrado e Doutorado. E claro no calor das discussões, em 2012, publicar o trabalho”, destaca o estudante que está arrumando as malas.
Ao conversar com Johnatan transparece a paixão por história, alimentada ainda nas cadeiras do ensino fundamental, dando a entender que em suas veias circulam antigos enredos, de um homem que acredita no passado como instrumento fundamental para um futuro melhor.