Ademir participa de evento nos Estados Unidos
Ademir participa de evento nos Estados Unidos
23/07/2010 às 08:06
De mala e cuia, o alto-felizense Ademir Wiederkehr viajou pela primeira vez aos Estados Unidos e participou de 13 a 15 de julho da missão internacional da UNI Sindicato Global, em Boston, uma das maiores cidades norte-americanas. Ele integrou a delegação do Brasil que, junto com sindicalistas da Inglaterra, Uruguai e Chile, levaram solidariedade e apoio para a criação de um sindicato dos bancários na nação mais poderosa do planeta.
Ademir, que é diretor de imprensa da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), entidade que representa cerca de 400 mil bancários em todo Brasil, afirma que “parece inacreditável, mas os bancários norte-americanos não possuem sindicato”. Segundo ele, “existe um movimento entre os funcionários do Sovereign Bank, adquirido em 2008 pelo grupo espanhol Santander, mas o banco tem apelado para práticas antissindicais, como intimidações, ameaças e demissões, visando impedir a organização do sindicato”.
“Sem sindicato não tem negociação coletiva e, assim, os bancários dos Estados Unidos não possuem direitos fundamentais, como jornada regular de trabalho, pagamento das devidas horas extras e férias regulamentares. Também sofrem com a pressão das metas para a venda de produtos, a exemplo dos demais países onde o Santander atua. Muitos bancários estão há três anos sem reajuste salarial, não têm local fixo para trabalhar e precisam solicitar autorização das chefias para ir ao médico”, conta Ademir, que foi candidato a prefeito de Alto Feliz em 2000.
“No Brasil, onde os bancários possuem sindicatos, federações e confederações, já conquistamos uma convenção coletiva nacional, válida para funcionários de bancos públicos e privados de todo país, com piso salarial, jornada de seis horas, vale-refeição, cesta-alimentação, participação nos lucros e licença-maternidade de seis meses, dentre outras vantagens”, salienta o sindicalista. “Os bancários brasileiros são referência no mundo pela sua organização, história de lutas e conquistas”, destaca.
A ida aos Estados Unidos também reforçou a campanha por um acordo global com o Santander. “Queremos garantir direitos básicos para os trabalhadores do banco espanhol em todo mundo, como o direito à sindicalização e à negociação coletiva. Não aceitamos que os bancários que trabalham fora da Espanha sejam tratados como se fossem de segunda classe”, compara Ademir. “Cabe ressaltar que a previsão do banco para 2010 é de que cerca de 80% do lucro mundial virá de outros países, sendo 25% do Brasil”.
A missão internacional foi liderada pelo presidente da UNI Finanças, o alemão Oliver Röethig. Pelo Brasil, também participaram o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, e o secretário-geral Marcel Barros, além das diretoras do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Rita Berlofa e Maria Rosani. A atividade foi organizada pela SEIU, com o apoio da CWA, duas entidades sindicais norte-americanas que representam outras categorias e são parceiras na luta pela criação de um sindicato de bancários.
“Foi a minha terceira viagem internacional em 2010, representando os bancários brasileiros”, revela Ademir. “Em janeiro, estive em Madri, capital da Espanha, numa reunião para preparar a campanha por acordo global, e em maio participei de um seminário de sindicatos de transnacionais espanholas, em Bogotá, capital da Colômbia”, esclarece o alto-felizense. “Nunca deixo de levar o chimarrão, valorizando a cultura e as tradições da nossa terra”, conclui Ademir.