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GETÚLIO VARGAS – Artigo de Juliano Maciel

24 de agosto, 2017 às 15:52 - por Juliano Maciel

Hoje, no sempre histórico 24 de agosto, lembramos os 63 anos do suicídio do Presidente Vargas. Personagem principal da vida brasileira durante um quarto do século XX, sua vida já foi objeto de muitas análises, sob os mais diversos prismas. Eu quero aqui registrar um pouco sobre o pensamento político e econômico de Getúlio, inspirado na tese de doutorado pela USP do Professor Pedro Cezar Dutra Fonseca.

Se analisarmos a carreira de Getúlio Vargas e seu pensamento político e econômico detectamos três fases. A primeira é a positivista, a fase em que ele é estudante, a qual abrange as primeiras décadas do século XX – Getúlio formou-se há 110 anos na Faculdade de Direito da atual UFRGS – exatamente em 1907, ele é chamado da “geração de 1907”, junto com João Neves da Fontoura, com Oswaldo Aranha, com Lindolfo Collor. Todos eles eram membros do Partido Republicano Rio-Grandense, portanto chimangos, e perfilados à ideologia positivista, que era a ideologia do Partido. Essa nova geração começou a pregar dentro do Partido que se deveria participar mais da política nacional.

A segunda fase começa quando Vargas desapega-se deste positivismo mais tradicional, por assim dizer. Normalmente considera-se que isto ocorreu em 1930, quando há a revolução e ele assume o Governo Federal. Mas conforme a tese do professor, pesquisa com base em seus discursos mostra que essa mudança se deu em 1928, antes dele ser Presidente da República, quando assumiu a Presidência do Rio Grande do Sul (pois na época se chamava o Governador de Presidente do estado). Getúlio estava convencido de que o desenvolvimento era uma tarefa do Estado, e o Estado Novo surge para tirar de cena os inimigos desse projeto de industrialização acelerada.

No final do Estado Novo, é que começa a surgir o que se pode chamar de trabalhismo, a terceira fase. Caso se pudesse dar um marco ou momento simbólico, seria no 1° de maio de 1943, que foi a primeira vez que Vargas foi a um estádio de futebol, no Dia do Trabalho, e que ele usa aquela expressão “trabalhadores do Brasil”. Aí já está prenunciado o final do Estado Novo e é um momento, então, em que está visível que vão cair as ditaduras na Europa, com consequências aqui no Brasil. Nesse momento, então, ele vai criar os dois Partidos: o PSD e o PTB; ele se filia ao PTB.

Essas três fases do Vargas, do positivismo, do desenvolvimentismo autoritário e do trabalhismo mostram que ele possuía tremenda coerência, do ponto de vista ideológico. E a coerência que elas têm, qual é? Vargas sempre defendeu algo que permanece nas três fases: a coerência delas é ser antiliberal.

Neste momento trágico de desmonte da estrutura estatal e perda dos direitos dos trabalhadores, que o exemplo e a luta de Vargas seja inspiração para a unidade popular. E que o tiro no próprio peito, que retardou o golpe militar em 10 anos, seja sempre lembrado como um ato heroico em defesa do mais genuíno interesse nacional.

Juliano Maciel é Cientista Político e 2º Vice-Presidente do PDT/SL

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