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FUTEBOL – Crônica de João Eichbaum

27 de junho, 2018 às 20:53 - por João Eichbaum

Essa é a constante  que impera no futebol: todo o craque tem o seu dia de perna de pau e todo o perna de pau tem o seu dia de craque. Em outras palavras, não existe jogador extraordinário cujo desempenho seja incondicionalmente brilhante em qualquer jogo. Assim como não há jogador vulgar que um dia não se saliente.

O futebol é o retrato da vida, cheio de altos e baixos. Sua trajetória,  comandada por acasos, pode conduzir tanto ao grotesco como ao sublime. Afinal, são vinte e dois participantes em campo. Cada um deles com seus problemas, com suas preocupações, com seus objetivos, com suas frustrações e sucessos. Todos querem vencer e, para isso, levam em conta suas individualidades, sua história, seu motivo de busca pela vitória.

É desse amálgama de egos e suas circunstâncias que se produz um jogo de futebol: nem todos no mesmo nível, nem todos despidos de ansiedade, nem todos sem pane na alma, nem todos desligados da realidade que os cerca, dos aplausos que lhes injetam vaidade, dos apupos que os humilham.

Enfim, futebol envolve técnica, arte, condições físicas, psíquicas e todas as demais circunstâncias que produzem acasos e são por eles produzidas. Daí nasce a sorte. Ou o azar.

A beleza do voo acrobático de Cristiano Ronaldo, fazendo gol de cabeça contra Marrocos, e a precisão geométrica do gol de Toni Kroos contra a Suécia, são obras de acasos. No primeiro caso, a bola cruzou numa altura e numa velocidade que dificultavam tanto o chute quanto a cabeceada dos defensores, mas ofereciam para Cristiano Ronaldo uma distância que lhe permitiu preparar aquela incrível levitação em movimento. Já para o chute de Toni Kroos contribuiu a falsa expectativa dos gigantes defensores da Suécia. Eles esperavam um cruzamento, mas a técnica de Toni Kroos transformou a trajetória diagonal da bola em curva, exatamente no ângulo da goleira, onde ninguém poderia pôr a cabeça.

Já para o astro egípcio Mohamed Sallah o acaso foi padrasto. Em jogo pela Liga dos Campeões, sofreu grave lesão e só pode estrear na Copa do Mundo contra a Rússia. Sem condições físicas e psíquicas, esteve apagado no jogo: foi o seu dia de perna de pau.  Despediu-se da Copa. Talvez nem tenha tido o consolo de saber que o dia de perna de pau do Cristiano Ronaldo foi no jogo contra o Irã.

 

 

 

 

 

 

Autor

João Eichbaum

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