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A escravidão dócil do brasileiro transformada em vira-latismo nacional – Artigo de Bado Jacoby

29 de janeiro, 2018 às 20:01 - por Bado Jacoby

A manipulação secular de maioria da sociedade brasileira, é um produto de 500 anos de colonização primeiramente de exploradores Europeus de manufaturas extrativistas, que aqui aportavam com a esperança de retorno para as terras Europeias com muito ouro e riquezas.   Mais adiante, com a fixação de uma primeira geração de imigrantes que não tinham um compromisso de construir uma nação mas sim, assegurar o domínio “além-mar” da Coroa Portuguesa  e finalmente, com a metafórica independência política do então Império Brasileiro, que por incrível e esdruxulo  que possa parecer, teve como primeiro mandatário, um “playboy”  sexualmente insaciável, que na verdade, nunca pensou em ser Imperador de terra nenhuma.

A cultura do vira-latismo, foi de forma lenta mas constante sendo implantada na mente cultural e social do brasileiro médio que sem perceber, assimilou um “modus operandi” de comportamento social onde o ser esperto e inteligente, virou uma questão de sobrevivência diante de um estado corrupto e ineficiente.  Esta já consolidada síndrome  de vira-lata na alma social do brasileiro, facilitou e facilita até hoje, a manipulação da maioria da  população que sem perceber, da o aval cívico para a sacanagem institucionalizada do estado brasileiro.

Este vira-latismo tupiniquim, foi detectado de maneira inteligente e irônica por Gilberto Freyre em sua obra prima “Casa Grande e Senzala” que interpretou de maneira futurista  “no contexto de sua época(década de 1920/1930)” o que seria a formatação da cultura sócia-econômica da classe média brasileira.

Gilberto Freyre, explorou como poucos, os aspectos de uma sociedade baseada no Cristianismo de exploração onde as diferenças sociais e a resignação do populacho era necessária, porque, fazia e ainda faz, parte da redenção da alma e assim,  as coisas da matéria  ou a falta delas, serão compensadas pela glória eterna do paraíso. Ou seja, miséria e exclusão social era tolerável e “imutável” porque são considerados desígnios de Deus.

Com o “advento” da messiânica e redentora do orgulho nacional Operação Lava Jato, o vira-latismo nacional relativamente adormecido, saiu do armário e vestido de verde e amarelo, tomou conta das praças centrais das principais cidades brasileiras e fez de parte da classe média brasileira,  porta-voz de todos preconceitos e ódios contra a senzala, que em algum momento, teve a ousadia de querer frequentar universidades públicas, faixas de areia em praias e estacionamentos de shoppings onde até poucos anos, somente a Casa Grande e seus herdeiros, tinham acesso.

A operação lava jato que em algum momento deu mostras que poderia ser um ajustes de contas entre o populacho e a corrupção secular de estado, sem muitos pudores, se transformou em uma nau onde militantes políticos e até fundamentalistas religiosos travestidos de juízes e promotores, destilaram todo o seu ódio contra um segmento da política nacional enquanto para outros segmentos, fazia e faz vistas grossas sem o mínimo rubor de vergonha pela seletividade escancarada em fazer justiça.

O vita-latismo tipo enlatado cultuado na mente do brasileiro médio, faz o mesmo considerar a corrupção de estado algo incorrigível e insuperável e de maneira orquestrada, deixa este mesmo brasileiro que em tese deveria ser o guardião da pátria e seus valores, um dócil e clareado escravo transformado em vira-lata tirador de selfs em manifestações contra a corrupção(??), como as acontecidas na época da retirada da Presidente Dilma da presidência do Brasil.

Enfim, este vira-latismo pós moderno tupiniquim ajuda a Elite(do atraso) dominante a continuar nesta manipulação cientifica e orquestrada e por meio disto, continua usando e abusando do estado(brasileiro). A tal manipulação, consegue legitimar, este sistema social perverso de castas e assim, se mantém sempre no comando do leme da economia e do estado. O mais grave disto tudo, é que se conseguiu formatar um conceito cultural de baixa estima do brasileiro médio, que permite,  expropriar as riquezas nacionais quando, uma sociedade se acha “inferior e desonesta”. O raciocínio do  tipo  “entregar a Petrobrás para os estrangeiros, é melhor do que deixa-la para os políticos brasileiros desonestos e corruptos”  se torna justificável neste contexto(vira-latismo), apesar de absurdo.

Esta classe média(parte) que se formou no Brasil pós escravidão, sem perceber, se transformou na figura de Capitão de Mato destas Elites do atraso brasileiro, e por meio de ódios e preconceitos, “caçam” todos os excluídos seculares da piramide social tupiniquim, que em algum momento, tiveram a ousadia de cruzar o pátio que separa a Casa Grande da Senzala.

Não por acaso, algumas mentes mais lúcidas, estão a perceber esta secular manipulação e talvez, ainda reste alguma esperança para o Brasil não se tornar uma nação de vira-latas que se consideram, espertos e malandros.

Autor

Bado Jacoby

bado@visaodovale.com.br

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