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EDUCAÇÃO POBRE PARA OS/AS POBRES – Artigo de Mariléia Sell

22 de agosto, 2017 às 20:17 - por Mailéia Sell

A SMED vem sendo questionada sobre o investimento de R$ 80.000,00 para um ciclo de palestras com o escritor Fabrício Carpinejar, sobre bullying.

Estamos sendo questionados/as e as pessoas chegam a fazer cálculos prodigiosos sobre quantos/as professores/as poderiam ser formados/as com este valor (em universidades EAD, claro, nada de gastar muito!).

Os argumentos são os mais variados e os mais cretinos, porque, de novo, pra quê formação e cultura nas vilas?

Aliás, no ritmo em que vamos, com o Escola Sem Partido, com a igreja mandando nos currículos, com professores/as sendo contratados/as pelo menor preço do mercado, nossa pátria sem ordem e sem progresso está retrocedendo a passos largos à idade das trevas.

Mas, eu estava dizendo, pra quê investir R$ 80.000,00 em 30 palestras com um escritor nacionalmente reconhecido e premiado? Pra quê o luxo de um Carpinejar? Não podia ser alguém da academia (que cobra baratinho)?, questionam os/as mais pragmáticos/as e sem noção nenhuma sobre a intangibilidade do simbolismo na educação.

Para a informação dos/as demagogos/as de plantão, trago alguns números (o povo adora números!). No ano de 2016, a Smed de então investiu R$ 1.654.247,00 (isso mesmo, UM MILHÃO, SEISCENTOS E CINQUENTA E QUATRO MIL E DUZENTOS E QUARENTA E SETE REAIS) com um Programa Educacional chamado MENTE INOVADORA. Esse Programa previa conjuntos educacionais (jogos e livros) para aplicar em uma metodologia educacional. A própria empresa avaliou que o Programa não teve o engajamento das 16 escolas contempladas, ou seja, a terceirização da educação custa muito caro e não é efetiva! A Smed de agora NÃO TERCEIRIZA A EDUCAÇÃO, PORQUE TEM PROPOSTA PEDAGÓGICA PRÓPRIA!

Então, comunidade Leopoldense, é legítimo questionar, mas é sempre prudente se informar primeiro, para não correr o risco de reproduzir discursos falaciosos e mal-intencionados.

Estamos, sim, é inegável, passando por muitas dificuldades (o país inteiro está e aqui caberiam outros textos sobre o assunto), mas o argumento torpe de que é preciso sangrar ainda mais a formação, a cultura e a arte é reafirmar o que Miguel Arroyo dizia sobre a educação pobre pensada para os pobres. É reafirmar a dureza da vida, desprovida de arte e de sonhos!

Mariléia Sell é Professora dos Cursos de Letras e Comunicação na Unisinos e Secretária Adjunta de Educação de São Leopoldo

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