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DEMOCRACIA SEM POVO – Crônica de João Eichbaum

21 de novembro, 2017 às 12:47 - por João Eichbaum

Quando os vândalos do MST invadem uma propriedade, nunca encontram lá a polícia armada e preparada para os repelir. Ninguém os recebe com gases, jatos d’água, balas de borracha. Os proprietários que se virem, que entrem na Justiça e esperem sentados, para não cansar.

Mas não é bem assim, quando o povo quer ver e ouvir, ao vivo e de corpo presente, os deputados que elegeu; quando quer fiscalizar aqueles que enchem a boca para dizer que representam o povo.

Quando a verdadeira democracia se põe em pé, o discurso é outro. Aquele substantivo de origem grega, tão elogiado, tão exaltado, tão forte e poderoso para repelir a mais remota ideia de um Estado totalitário, deixa de existir, de repente, se o povo, sem o qual não há democracia, resolve entrar numa Assembléia Legislativa.

Ah, não, assim não. Se não quiser ser tratado como um leão em fúria, o povo que fique do lado de fora, não tente botar os pés naquela augusta casa. Nada de toada em baixo tom. Pau no povo, polícia nele, jatos d’água, bala de borracha, qualquer coisa que sirva à segurança dos deputados, que lá não estariam, se não fosse o povo.

O povo, na hora de cobrar, é um perigo para a democracia. A outra conclusão não se pode chegar, depois daquela truculência da polícia contra o povo, que queria entrar na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, para conferir quantos e quais são os deputados que gostam de corrupção.

E, como se não bastasse a violência, os deputados partiram para o embuste: convocaram os funcionários da casa para ocuparem os lugares destinados à assistência. Assim, o povo não seria repelido por ser o povo, mas por não haver lugares disponíveis, para o distinto povo, senhoras e senhores.

De modo que, sem o povo, os deputados puderam agir como agem os salteadores, aproveitando a ausência dos donos da casa: vilipendiaram o mandato. Tomaram para si o que era do povo, o direito de fiscalizar seus mandatários.

Por 39 votos contra 19, os deploráveis personagens de mais uma história de malfeitos desta República transformaram a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro em valhacouto: livraram da prisão seu presidente Jorge Picciani e os deputados Paulo Melo e Edson Albertassi, acusados de corrupção.

Quer dizer: o povo, além de apanhar, não ganhou a senha para abrir a caverna construída pela Constituição Estadual do Rio, que acoita os Ali Babás cariocas e seus sequazes.  Que, no caso, eram trinta e nove.

 

Autor

João Eichbaum

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