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DE CUECAS E CALCINHAS AMARELAS E OUTRAS CRENÇAS – Crônica de João Eichbaum

03 de janeiro, 2018 às 08:02 - por João Eichbaum

A capacidade de imaginar decorre, naturalmente, da inteligência do animal humano. Mas, atenção: não se confunda inteligência com sabedoria, erudição, cultura. Qualquer criança tem capacidade para imaginar.

E foi assim, agindo como crianças, que nossos antepassados imaginaram deuses e produziram crenças. Levou-os a isso a consciência da própria limitação e de sua impotência diante dos fenômenos da natureza.

E tudo seria assim, muito simples, se não fossem as religiões. Mas, alguns mais espertinhos se valeram da capacidade de imaginação do homo erectus, para criar regras, estatutos e dogmas, avocando-se o privilégio de representar os deuses.

Dentre os criadores de religiões destacam-se: Moisés, um assassino que criou a religião judaica e Saulo de Tarso, um judeu-romano dotado da alta capacidade de sedução imanente em algumas psicopatias. Aquele, fundou a religião judaica, esse, o cristianismo.

Não existissem as religiões, não haveria ateus. Ao criarem regras e histórias da carochinha, como as lendas de Adão e Eva e o nascimento de um deus parido por virgem para salvar a humanidade, as religiões reptaram aqueles que usam a inteligência como instrumento de raciocínio e não como mero repositório de imaginações alheias.

Não fosse isso, os, hoje, ateus continuariam imaginando, criando e eliminando deuses, cada um à sua maneira e para cada ocasião. Afinal, capacidade de imaginar, em regra, todos animais humanos têm. Tanto que sua criatividade está em constante evolução.

O poder da imaginação de cada homem é tão grande, que não se deixa esterilizar pelas regras religiosas. Ele ultrapassa todos os limites desses estatutos e põe no mesmo invólucro superstição e fé. O que, no fundo, não pode causar perplexidade, porque ambas são frutos das mesmas funções cerebrais.

E as crenças proliferam a mancheias: rezam para curar doenças, usam cuecas e calcinhas amarelas no ano novo para afastar os distúrbios da infelicidade, praticam “cirurgias espirituais”, atiram flores no mar para Iemanjá, pulam sete ondas, “investem’ em lentilha, agradecem aos céus pelos golos que fazem, porque o azar é do goleiro, etc, etc…

Essas, enfim, são crenças folclóricas, triviais. Pior fazem as organizações religiosas, alimentando ficções tipo infalibilidade papal e “misericórdia de Deus” – essa desmentida por um mundo onde crianças morrem de fome, onde inocentes são trucidados, mas onde também se constroem basílicas e catedrais suntuosas, cujos adros, guarnecidos a poder de grades de ferro, impedem que neles procurem agasalho os miseráveis, que não têm onde dormir.

 

 

Autor

João Eichbaum

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