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DA FAMÍLIA SIMIESCA E SEUS DERIVADOS – Crônica de João Eichbaum

04 de agosto, 2017 às 10:57 - por João Eichbaum

Ao invés dos benefícios imediatos que umas boas coçadas no saco proporcionam, os filósofos, donos de tempo bastante para jogar fora, se debruçam sobre coisas que não enchem a barriga de ninguém. E lá ficam eles a perguntar: quem somos, donde viemos, para onde vamos?

Ora, ora! Será que eles não sabem que somos um saco de esterco; que viemos duma trepada, e que a única coisa que não sabemos é se vamos para uma cova rasa, para debaixo de um túmulo com anjinho em cima, ou se viramos carne torrada, antes de nos tornarmos cinza?

Não sabem eles que, primeiro, fruto de um pega-pega de óvulos e espermatozoides, somos uma coisa chamada feto, um troço espremido entre fezes e urina, que depois desabrocha para o mundo, amarrado num cordão gelatinoso?

Sim, não passamos disso: um invólucro de esterco e de outras matérias perecíveis, representante duma espécie do gênero animal, que perdeu o rabo pelo caminho e adquiriu a capacidade de pensar e falar. Nossa primordial necessidade é a sobrevivência e, em função desse objetivo, colocamos o nosso ego em primeiro lugar.

Está aí a explicação para todas as coisas ridículas a que se entregam os humanos. Sendo escravos do próprio ego, para satisfazer-lhe os apetites esses animais não titubeiam em retornar à origem de seu nada.

Que o diga o deputado Wladimir Costa, escolhido pelo glorioso Estado do Pará, para ter assento na Câmara dos Deputados. O referido semovente, que tem um currículo recheado com aptidões de cantor, compositor, locutor de rádio, apresentador de TV e político, prova que, no acima referido saco de esterco e matéria perecível, só a imaginação pode encontrar dignidade.

Wladimir posou diante do país inteiro com camiseta sem mangas, para exibir seu bom estado de conservação e uma vistosa tatuagem com o nome do Temer. E, não contente com tamanho despaupério, arrotou detalhes: a tatuagem custou doze mil reais, doeu, mas ele suportou a dor, para honra e glória do presidente.

O desprezo para com o dinheiro do contribuinte, que lhe garante a boa vida de deputado, e o acinte para com os pobres que o elegeram, nada representam diante da enormidade de seu ego.

Tudo isso é abjeto, nauseabundo. Mas, com qualquer dimensão, se encaixa dentro do vazio do ser humano, onde há lugar para tudo, da patifaria à ingenuidade, da caretice à imbecilidade. A votação da Câmara dos Deputados, livrando o Temer, mostrou todos os modelos que viajam entre esses extremos. Que o desmintam, se puderem, os filósofos.

Autor

João Eichbaum

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