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A boca do homem da mala e os esfíncteres

05 de junho, 2017 às 10:50 - por João Eichbaum

Rocha Loures – Crédito: Reprodução/Internet

Quem tem ânus, tem medo – diz um ditado. Não é bem ânus, a palavra que o povo usa, mas vá lá… Salvo caprichos ou descuidos da natureza, toda a espécie humana é dotada daquele acesso para uma cavidade, sem a qual de nada serviriam as funções do aparelho excretor.

Até alguns dias atrás, era de supor que o Temer tivesse o dele a salvo de pruridos e protuberâncias. Com aquele ar de doutor, expedido pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Michel Miguel Elias Temer Lulia, que anda na boca do povo com o nome de Temer simplesmente, disse alto e bom som que não temia delações do Loures, seu “homem de confiança”.

Em entrevista para o jornal Zero Hora, Eliseu Padilha, um corretor que vendia terrenos em Tramandaí e atualmente é o chefe da casa civil do Michel Temer, confirmava que ao dito Michel Miguel não fariam a mínima cócega as delações de Loures.

Mas, de certo, ocorreu ao Rodrigo Janot testar, no presidente, o grau de resistência daquela parte extremamente sensível, que responde ao poder invencível do medo de toda a humanidade. E emitiu sinal de perigo, denunciando o Aécio, que tinha descolado do Joesley Batista uma gorjeta de dois milhões de reais.

E logo em seguida, quando o povo ainda nem tinha fechado a boca, depois do oh provocado pela denúncia do Aécio, o dito Janot pediu e conseguiu a prisão de Loures, o “homem da mala”.

Aí, sim, Temer se mexeu, porque deve ter sentido a ação das fibras do sistema muscular em torno daquele orifício que a boa educação chama de anal. Ao invés de dar de ombros para a prisão da “pessoa de sua confiança”, seguindo a vida como se nada tivesse acontecido, o Michel Miguel Elias mostrou que não é exceção no gênero animal, nem na espécie humana.

Antes mesmo que a imprensa noticiasse a prisão de Loures, vazavam informações de que o presidente já estava aprontando sua tese de defesa, diante de uma possível denúncia contra ele. Seu argumento chave seria a fragilidade da acusação, baseada numa gravação sem perícia técnica.

Mas, além disso, Sua Excelência começou a dar de mão dum velho recurso para tirar o dele da reta: o oferecimento de cargos, em troca de votos. Quer correr na frente, porque só pode ser instaurado processo por crime comum contra o Presidente da República mediante aprovação de dois terços da Câmara dos Deputados.

Resultado: Sem que a pátria se importe com isso, o nabo vai ser enfiado no dos contribuintes, porque as verbas, que farão a alegria dos convertidos à causa do presidente, saem do bolso de quem paga imposto.

Autor

João Eichbaum

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