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A ADOÇÃO DA DIFERENÇA – ARTIGO DE ANDERSON RIBEIRO

27 de abril, 2018 às 09:11 - por Anderson Ribeiro

Em 2017 o Canil Municipal conseguiu um novo lar para 189 animais, nos primeiros meses de 2018 foram mais 89 novos lares. Juntem-se a isso os mais de 475 pedidos de recolhimentos, alguns deles para mais de dois animais juntos, para um canil que possui apenas 170 vagas, mas que abriga mais de 300 animais. Imagine então mais de 4 mil cachorros soltos nas ruas e mais 6 mil gatos. É um triste panorama.

Com o advento das redes sociais, criou-se o mais miraculoso tipo de solução, as mais criativas matariam os animais de confinamento, sofrimento e ou fome. Prova de que internet está longe de conceder titulo de doutor em proteção e bem-estar animal. Grupos independentes e ONGS registradas enxugam gelo por décadas, mostrando que o modelo deve ser repensado.

As estratégias de esterilização em massa são eficientes se praticadas de forma coordenada e ininterrupta, o que devido à morosidade e falta de recursos tanto do poder publico, quanto do terceiro setor, e a falta de interesse social da iniciativa privada não tem eficácia. E os atropelamentos? E os casos de maus tratos? E as penas que tão pequenas parecem um incentivo à prática de crimes contra os animais?

Atualmente mais de 660 animais de rua são atendidos pela SEMPA, e destes mais de 30% ficam com alguma seqüela física, neurológica ou emocional. Em nossa visão o canil deve ser um espaço de abrigo de cães com necessidades especiais, que depois de curados não tem condições de retornar aos seus locais de origem. Sendo assim em uma rápida visita é possível perceber que das 278 adoções citadas no início deste artigo, sequer 5% delas são de animais especiais.

Retornamos ao ponto das pessoas que querem ajudar os animais. Não existe uma forma mais direta de auxilio aos nossos peludos que a adoção da diferença, um contato de puro amor e carinho, sem o olhar estético, sem a visão do padrão do socialmente aceitável. Aquela adoção que muitos incentivam nas redes sociais, mas que não é praticada na vida real. Se queremos mudar o mundo e gerar um senso de proteção e bem-estar animal, devemos começar por nós mesmos, agregando a diferença em nossas vidas, em nossas escolhas, ampliando nossa visão para alcançar o olhar do coração e a percepção para o sentido da alma.

Quanto ao exemplo, confesso que o Lázaro é cego e com dificuldades extremas de locomoção, a Pretinha tem fortes desvios psicológicos por trauma, o Neguinho possui algum tipo de stress pós traumático que não permite sequer a aproximação mais freqüente, o Negão este não é diferente, é o “normal”, já a Amora virou o terror da vizinhança, pois ninguém dorme nunca. O Beagle, o Bob, a Luna, esses o câncer permaneceu muito tempo antes de levá-los, mas mantivemos a força e a dignidade. A outra meia dezena que tem problemas de pele, alias nenhum contagioso a humanos está lá firme e forte. É uma escolha: ou adotamos a diferença ou não, sem meio termo.

Anderson Ribeiro é Secretário da SEMPA/SL

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