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1º de maio, um feriado para comemorar ou para lamentar? – Artigo de Bado Jacoby

01 de maio, 2018 às 10:54 - por Bado Jacoby

“Dia do Trabalho e do Trabalhador”, este deveria ser o nome correto e justo para a data que é comemorada todos os dias 1º de maio de cada ano no Brasil e no mundo. E mais especificamente, no Brasil atual.

A data, representa ou deveria ter pelo menos a representatividade de todo um segmento social ou melhor, uma maioria de toda a sociedade ativa economicamente, que faz movimentar toda a estrutura de mercado e principalmente, do capitalismo perverso e segregador que cada vez mais aprofunda o abismo do apartheid social que separa, os que tem muito(sistema financeiro) e os que para este sistema financeiro, são obrigados a “entregar” seus cada vez mais anêmicos ganhos do verdadeiro trabalho.

A sociedade brasileira como um todo está refém de uma armadilha muito bem articulada e elaborada durante mais de cem anos e hoje é vítima de uma divisão social perversa que só faz aumentar todos os ódios e preconceitos que só faz bem a uma “ELITE DO ATRASO” que cada vez mais se enriquece do trabalho da grande maioria da população brasileira.

Quando se fala em TRABALHO OU TRABALHADOR, é necessário que se faça uma extensão para o mais simples operário, para o pequeno empreendedor, o micro, pequeno e médio empresario e inclusive, o grande empresariado nacional.  A condição de trabalhador, não é restrita para tão somente o assalariado. A condição de trabalhador, deve ser ampliada a todos os setores produtivos e seus protagonistas seja o empregador ou o empregado.

O Brasil convive com uma taxa de desemprego de mais de 13% e está se tornando a república dos MEIs(micro empreendedor individual(?)) e de motoristas de UBER que sem condições de emprego buscam nestas alternativas de sobrevivência um banco de espera para voltar ao mercado de trabalho formal.  Por outro lado, os 10% mais ricos(quase tão somente o sistema financeiro) se apropriaram de 43% da renda total do país, enquanto que os 10% mais pobres ficaram com míseros 0,8% da renda nacional.  Esses dados, divulgados no mês de abril pelo IBGE, um instituto público da administração federal, refletem o triste retrato do nosso país, onde a concentração de renda atinge índices indecentes e perversos que está levando o Brasil para um sistema social de castas com aspectos medievais e que tem com desfecho certo, uma devastadora convulsão social.

O Brasil de quem produz de fato, precisa com urgência de um pacto social que busque “remendar” o quanto tanto possível o contrato social brasileiro que hoje está “em armas” para uma guerra onde o verdadeiro “inimigo”, só está na espreita para como um urubu nos céus, descer e se alimentar da carniça que sempre se alimentou e engordou as custas do vira latismo insano da maioria manipulada da sociedade  média brasileira.

A figura do tal Capital e Trabalho foi extinta e em seu lugar, hoje opera a realidade do Trabalho(empregadores e empregados) que produzem e geram toda a riqueza nacional que cada vez mais é transferida para um minusculo grupo de capitalistas(aqueles que detêm e concentram  de maneira perversa o capital). Esta transferência é materializada pelo pagamento de impostos que são transformados em remunerações generosas que na forma de títulos da dívida pública, são  vendidos para a banca nacional e internacional e principalmente em forma de juros que tem as mais altas e indecentes taxas em todo o sistema financeiro internacional. Não por acaso, o sistema financeiro brasileiro está concentrado em apenas quatro grupos e sua lucratividade é a maior do mundo.

Como se vê, uma leitura não mais que superficial do atual momento Brasileiro(na maior parte do mundo não é diferente) é plenamente possível identificar que não é preciso uma revolução do “bem contra ou mal” ou vice versa para se chegar em uma sociedade mais justa e menos distante em suas classes econômicas. O que se precisa, é frear este abismo que está sendo criado pelos parasitas especuladores que manipulam de maneira perversa a sociedade brasileira e por uma disputa rasa e manipulada, conseguem se manter no poder de fato e continuam a comandar  um camarote regado a  Champagne legitima francesa, o teatro social brasileiro que caminha a passo largos, para uma guerra civil onde somente, se verá o sangue de quem sempre carregou o piano desta perversa concentração de renda que tanto mal faz a sociedade brasileira como um todo.

Que o dia do trabalho e do trabalhador seja comemorado por todos aqueles que realmente produzem riquezas efetivas e que um entendimento médio, consiga anular os perigosos extremos que estão pegando forma diante deste abismo social que o Brasil caminha a passos largos.

Autor

Bado Jacoby

bado@visaodovale.com.br

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